Dificilmente encontraremos uma pessoa que tenha dificuldades
para entender o conceito de cronograma, ainda que assim não o chame e seja um
gráfico muito simples.
Uma sequência de tarefas, com prazos para realização e data
de conclusão é algo bastante simples, não é verdade?
Há um detalhe que costuma gerar muita discussão: para o
contratante, quando a tarefa entra no último dia e última hora, há grande
preocupação, para o contratado, ainda está no prazo acordado.
O último dia é a reserva que não deve ser usada, mas o que vemos
com frequência é sua exploração à exaustão. Inevitavelmente, desgastes são
gerados por esse fato.
Pense comigo, imagine que você é um paraquedista: Seu
paraquedas principal não funciona, e você tem que usar o reserva. Quando saltos
daria com esse equipamento?
É muito provável que não fizesse o segundo, mas caso
ocorresse novamente o defeito, jamais daria o terceiro. E veja que você ainda
tinha reserva para usar!
Esse é o mesmo princípio do cronograma: data limite é
reserva e não deve ser usada. Em uma sequência de tarefas, cada dia não
esgotado é uma segurança a mais para contratempos.
Criamos um vício operacional que não permite o contratante
cobrar antes do minuto fatal. Qualquer menção é encarada como intromissão e um
ato de desconfiança. Quando ocorrem os
atrasos e há multas, há mais esforços para obter o perdão do que para tirar o
atraso.
Quantas vezes você já chamou uma pessoa para fazer um
trabalho na sua casa ou empresa e a pessoa lhe disse: até sexta-feira eu passo
por ai, e não passou?
Sábado pela manhã ou quem sabe sexta a tarde ela lhe
telefona, arruma mil desculpas, e promete passar até as doze horas daquele
sábado. Bom, não precisa dizer que você vai ficar esperando a toa. Quando vem,
chega tarde e não termina o prometido!
Para se deparar com isso experimente agendar a instalação do
telefone, com internet e TV a cabo. Vai descobrir o que é reprogramação, seu
cronograma ficará todo riscado.
Cronograma não respeitado provoca situações desagradáveis,
porque enquanto uns agem com a barriga, outros se manifestam com o pé.
Dizia o responsável por uma obra: - As coisas aqui não
andam!
Respondeu o contratante: - Pois é, se as coisas andassem,
sairia todo mundo correndo. Quem tem que andar são as pessoas para concretizar
as tarefas.
Retruca o responsável: - Não sei porque o senhor está
nervoso, está todo mundo se mexendo!
Naquele dia, andou o contratante para fazer “andar” o
contratado por não fazer!
A cultura do movimento é o argumento para a inoperância, a
incompetência, a negligência.
Se você trabalha com projetos, revire a memória para ver se
lembra quantas vezes alguém se manifestou antes de estourar o prazo, tomando providências
para que isso não ocorresse?
À passos lentos as tarefas não terminam, porque vivem a
síndrome do cronograma inflamado. Qualquer tentativa de acelerar provoca
gemidos de dor.
Em um cronograma, temos que tratar cada data limite como
momentos de verdade.
Está pronto, não está pronto. Foi feito, não foi feito.
Concluiu, não concluiu.
Em uma obra, quando encontramos um grupo de pessoas com cara
de preocupação e alguém diz “deixa comigo que eu resolvo com ele”, se você
apostar que a há atrasos tem grandes chances de acertar.
Nosso modelo de gestão de projetos é carente de consequências,
por essa razão convivemos com a falta de respeito às datas e prazos.
Por vício, momentos de verdade são transformados em momentos
de perdão, com isso muitos ainda pensam ser possível tolerar a “empurração”.
Ivan Postigo
Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP
Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação de
carreira na área de vendas
Postigo Consultoria de Gestão Empresarial
Fones (11) 4496 9660 / (11) 99645 4652
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