A porta da sala do executivo separa o mundo das decisões
do mundo das operações.
Sem ter essa experiência, é impossível conhecer com
profundidade essa realidade.
Conheci e vivi esse fato pela primeira vez, quando assumi
a diretoria de uma organização.
Meu antecessor trabalhava de portas fechadas, e sua
secretária fazia a ponte com as pessoas que dali se aproximavam.
Tomei uma decisão que para ela era radical: mantinha a
porta aberta. Estando, esta, assim, todos que precisavam falar comigo podiam
entrar, sem ser anunciado.
Atendia os
telefonemas da linha direta e despachava meus correios eletrônicos, sem pedir
auxílio.
Um dia ela me disse: - Não sei trabalhar com o senhor.
Grande parte do trabalho o senhor mesmo faz!
Mostrei, então, o tempo que era perdido com a
interlocução. E, como já havíamos conversado, quando eu fechasse a porta,
realmente não gostaria de ser incomodado. Fato raro em toda minha carreira.
Subi todos os degraus para chegar àquele posto, portanto
pouca coisa era novidade para mim.
Um dia o presidente me chamou e disse: - Ivan, você não
tem que andar atrás das pessoas, elas e que devem vir à sua sala.
Tivemos uma conversa interessante e pude mostrar que nada
acontecia em minha sala, grande parte das decisões dependiam de fatos que
estavam espalhados pela empresa.
Andar pelos corredores permite ver mais do que se
imagina.
Problema não resolvido é dilema criado. Se há algo a ser
feito, porque não “encarar logo essa parada”?
Um dos aspectos que me ajudou na carreira é ter estado
como Staff bastante tempo, em mais de uma empresa.
Atuar como filtro, o obriga a coletar o máximo de
informações e decidir o máximo que puder. É um “baita” treino para posições de
tomada de decisões.
Quando não temos domínio do ambiente e das situações, nos
trancamos. Os de dentro têm medo do que vai entrar e os de fora do que vai
sair.
Quando eliminamos a barreira, e nesse caso estamos
falando de uma porta, espantamos os fantasmas. Isso é importante. Não acreditamos em
fantasmas, mas que eles existem, eles existem!
Quando alguém entrava em minha sala afoito, esperando uma
rápida decisão minha, eu dizia:
- Calma, pensemos! Se a coisa fosse simples, vocês já a
teriam resolvido.
Isso tirava grande parte do peso da questão, e muitas
soluções saíram de um colegiado. Uma opinião aqui, outra ali, uma ideia acolá,
e víamos que o problema nem era tão grave e nem tão complexo.
Problema tem medo de decisão, é como calor em plástico. Faz
encolher.
A coragem do
guerreiro pode ser contemplada em seus olhos. Nada assusta mais do que a
serenidade no olhar do oponente.
Dizia o escritor Lloyd Alexandre: “Se tiveres a coragem
de olhar o mal cara a cara, de o veres como realmente é e de lhe dares o seu
verdadeiro nome, ele não terá poder sobre ti e poderás destruí-lo”.
Decidir nunca foi fácil, aprendamos com Napoleão
Bonaparte: “Nada é mais difícil e, portanto, tão precioso, do que ser capaz de
decidir”.
Na posição de tomador de decisões, podemos parecer, às
vezes, conflitantes, mas Alvin Tofller nos ajuda a entender as razões: “o
futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e
cada evento influencia todos os outros”.
Abrir as portas da sala e da mente cria a dinâmica que
afasta os medos!
Ivan Postigo
Diretor de Gestão
Empresarial
Articulista, Escritor,
Palestrante
Postigo Consultoria
Comunicação e Gestão
Twitter: @ivanpostigo
Skype: ivan.postigo

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