Como consultores, dividimos com o mercado as boas notícias
para que sirvam de agentes motivadores e, também, as ruins, como alerta.
Esta semana, depois de muita reflexão, tivemos que informar alguns
gestores que não temos solução de continuidade para a empresa.
O endividamento chegou a tal ponto que consumiu tudo o que
tinham como reserva e esgotou as possibilidades de crédito.
Vender a empresa é impossível e entregá-la pelo valor da
dívida improvável.
O valor do passivo é de tal monta que permite criar uma
empresa nova sem dificuldades.
A marca não tem valor porque não se fez.
A pergunta é bastante simples: - Por que deixar uma
organização se deteriorar tanto e buscar ajuda tão tardia?
A resposta não surpreende: - Nunca pensamos que isso pudesse
acontecer.
Aconteceu com esta empresa e acontecerá com muitas outras.
Explorar as oportunidades de mercado demanda uma série de
atitudes, desde a localização de potenciais clientes até consolidação da marca.
Produzir requer conhecimento do produto, controle do
processo, habilidade para negociação das necessidades de abastecimento à
adequação das entregas.
Financiar as operações abrange desde evitar o uso
indiscriminado e irresponsável do cheque especial à obtenção de recursos do
BNDES.
Todas, atividades simples e óbvias?
Sim, como para muitos é jogar xadrez.
Você joga xadrez?
Veja, perguntei se você joga, não se conhece as regrinhas
básicas.
Já experimentou jogar com uma pessoa experiente ou mesmo
contra um programa de computador?
Não tem hora que a surra é tão grande que você nem sabe como
e porque perdeu?
Pois é, os grandes desastres empresariais são assim. Começam
com alguns poucos erros, as luzes vão se acendendo e as pessoas começam achar
aquilo normal. Quando se dão conta, o avião está com o “bico enterrado no
solo”.
As dificuldades criam os heróis em tempo de crise. Aqueles
que na empresa fazem muita espuma, mas limpam pouco.
Aparecerá a turma do “Isso não é comigo”.
Há também a turma do clube “Avisei que não ia dar certo”.
Tem o grupinho “To fora, vai acabar sobrando”.
Há aqueles que formam a ala “Quero ver no que isso ai dar”.
Não podemos esquecer dos cavaleiros solitários “Ninguém me
ajuda”.
Ah, os videntes: “Há muito tempo que a coisa ta errada, e
vai piorar”.
Ops, não podemos esquecer dos que não queriam e não querem
ver, os que não queriam e não querem ouvir, e os que não falaram e não querem
“mais” falar.
Vamos no popular: - Fala sério, isso poderia dar certo?
Não vamos nem perder tempo falando que faltou desenvolver a
missão, visão, crenças e valores da empresa, pois não teria o menor sentido e
seria de uma inocência irritante, mas nos prendamos a uma única pergunta: - Esse
grupo estava reunido todos os dias fazendo o quê?
Você pode me perguntar: - Como você pode falar assim?
Estou, simplesmente,
atendendo a dois pedidos.
O primeiro: O que faço agora?
Recomendação: Procure um bom advogado para minimizar as
perdas.
Segundo: Escreva para mim um desabafo.
Tá escrito!
Há um terceiro que não foi solicitado, mas esse faço com
todo o coração: - Fique com minhas orações, uma vez que em termos técnicos
pouco posso fazer!
Uma lição para todos nós: A falência de uma organização começa,
com muita freqüência, no processo de gestão.
Ivan Postigo
Diretor de Gestão Empresarial
Postigo Consultoria Comunicação e Gestão
Fones (11) 4526 1197 / (11) 9645 4652
Twitter: @ivanpostigo
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