Uma quantidade significativa de
empresas vem há anos procurando melhorar seus resultados, gerar pequenos lucros
que permitam acreditar num futuro melhor, sem obter sucesso.
A necessidade de geração de
resultados imediatos força o foco em determinados assuntos, fazendo com que
seus gestores percam a noção do conjunto.
Essa mudança de atenção faz com
que os seus resultados mensais não passem por uma análise crítica,
negligenciando-se inclusive o papel da contabilidade em suas contribuições
gerenciais.
Neste aspecto cabe perguntar:
Saberiam seus gestores quanto os
gastos de manutenção representam de suas vendas, líquidas de impostos?
Sim, vendas líquidas de impostos,
este deve ser o ponto de partida da análise. Não podemos considerar nossas
vendas brutas, pois os impostos nada acrescentam ao nosso caixa. Na verdade
drenam recursos.
Como normalmente o recebimento
das duplicatas, geradas pelas vendas, acontece depois do prazo para pagamento
dos impostos, as empresas são obrigadas a ir aos bancos emprestar dinheiro para
pagá-los. Note que estes têm um ingrediente adicional: gastos financeiros
associados.
Com isso o governo tem seu quinhão
garantido, sem muito esforço, afinal nossas empresas, sempre que podem, pagam
os impostos em dia.
Seguindo no questionamento, quanto
representaria do faturamento líquido os gastos financeiros, formados pelos
juros pagos nos descontos de duplicatas, pelas taxas bancárias, tributos, e
toda gama de percentuais que envolvem esses desembolsos?
Quanto do faturamento líquido é
destinado às matérias-primas, mão-de-obra direta, gastos com administração da
fábrica, pessoal de vendas e administração?
Não há um modelo, nem regra que
determine a distribuição de valores, mas é possível estabelecer um quadro
especulativo e com base nesse pressuposto avaliar nossa empresa.
Especulativamente podemos usar uma
base percentual e uma base de valor. Na base de valor considerei o valor de
faturamento R$ 1.000,00. Pode-se, a partir deste valor, estudar variações:
Base
percentual Base
de valor
% R$
Faturamento Líquido 100,0
1.000,00
Materiais usados nos produtos 60,0 600,00
Mão-obra-direta 10,0 100,00
Mão-de-obra indireta 5,0 50,00
Despesas gerais de fábrica 5,0 50,00
Gastos com manutenção 2.0 20,00
Total de custos do produto 82,0 820,00
Contribuição Marginal 18,0 180,00
Administração de vendas 3,0 30,00
Comissões de vendas 5,0 50,00
Administração Geral 3,0 30,00
Logística 3,0 30,00
Margem de contribuição antes das
Despesas financeiras 4,0 40,00
Despesas Financeiras 5,0 50,00
Resultado -1,00 -10,00
Uma situação como esta mostra que
a empresa não pode recuperar o investimento, pois apenas com a alocação dos
gastos operacionais já está com prejuízo.
Neste demonstrativo não foi
alocado o valor da depreciação dos equipamentos.
Outro item também não considerado
foi o investimento em propaganda e publicidade, fator importantíssimo na
divulgação dos produtos no mercado.
Esses percentuais não são estatísticos,
não levam em conta médias de mercado e ou segmentos industriais, são especulativos,
genéricos, contudo nos ajudam a refletir toda vez que analisamos empresas no
mercado. Adequações podem ser feitas a qualquer momento, de acordo com a
situação.
Ajudam, também, a perceber áreas
que estão consumindo recursos, pontos que demandam nossa atenção e medidas
corretivas. Mostram as montanhas que devem ser escavadas para averiguação das
dificuldades de gestão.
O estabelecimento de referenciais
é a instalação de luzes de alerta.
Criando e usando referenciais,
você pode ver quantas luzes estão acesas.
A propósito: Quantas estão acesas
neste momento na sua empresa?
Ah, já viu quantas? Ótimo, agora
trate de apagá-las.
Boa sorte e sucesso na sua
gestão!
Ivan Postigo
Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP
Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação de
carreira na área de vendas
Postigo Consultoria de Gestão Empresarial
Fones (11) 4496 9660 / (11) 99645 4652
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