Todos os dias, pessoas são mortas pelos mais fúteis motivos.
Famílias perdem entes queridos e o gosto pela vida.
Nada mais será igual depois de passar por uma barbárie.
Esperamos que leis e autoridades façam alguma coisa, enquanto
as drogas invadem todos os espaços.
Um amigo, daqueles que Milton Nascimento e Fernando Brandt
homenageiam na música Canção da América, com “Amigo é coisa para se guardar
debaixo de sete chaves, dentro do coração”, viu um filho se envolver com essa
monstruosidade.
Faltava-lhe alguma coisa? A nós, pais, faltam o comprometimento e a responsabilidade,
e aos nossos filhos, falta o comprometimento e sobram irresponsabilidades.
Não foram seus relatos que me assustaram, afinal estão na
internet, nos filmes, nas ruas, mas um pequeno detalhe: a tristeza em seus
olhos.
Jamais esquecerei seus olhos úmidos, incapazes de completar uma
única lágrima, que pudesse cair para aliviar sua alma. Já não havia mais o que
chorar.
Vendo sua angústia, impotente, disse-lhe: - Como posso
ajudá-lo?
Sua resposta foi direta: - Não pode, estou morto.
Descobrindo quais colegas o acompanhavam nesse suicídio,
partiu para uma cruzada, reunindo e alertando as famílias.
Acredite: Foi acusado de mentiroso por alguns pais e expulso
de algumas calçadas quando tocava as campainhas e dizia o motivo da visita.
Abra os jornais, entre na internet, e veja quantas pessoas
são mortas, todos os dias, em assaltos, cujo motivo é um só!
Não é de hoje que anseio ver este país parar por dois minutos.
Apenas dois minutos, para que possamos, com nosso silêncio, ouvir a voz da
consciência e começarmos de fato agir de forma a acabar com essas atrocidades.
Nossa juventude não se reúne mais pela vida, mas pela morte,
com o excesso de bebidas e drogas.
Acabei de ver um vídeo com a execução de um jovem na vila
Mariana, quando seu carro era levado por um assaltante.
Claro que muitos perguntarão por que ele foi morto. As
explicações serão muitas, mas o fato é que a sua morte, e de tantas outras
pessoas, tem sua raiz na nossa omissão.
Omissos ao educar os filhos, ao cobrá-los por suas atitudes
irresponsáveis, ao ensiná-los a levar vantagens, ao fazer vistas grossas para o
envolvimento com drogas, imaginado ser apenas uma fase, omissos perante os
homens e perante Deus.
Não nos faltam rezas e orações, abrindo as portas para novos
pecados. Não pedimos a Deus forças para não praticá-los, mas perdão por tê-los
feito novamente. Os dez mandamentos, infelizmente, são superados pela massa de
crimes.
Não temos mais vergonha, até para isso conseguimos dar um
jeitinho!
Cada túmulo de vida ceifada pela violência deveria ter duas
cruzes. Uma para lembrar a atrocidade e outra para que não esqueçamos que nossa
vergonha ali foi enterrada!
Até quando?
Até sempre!
A todos nós, pela nossa omissão, faltarão lágrimas e a
teremos como nosso carrasco.
Ivan
Postigo
Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP
Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação de
carreira na área de vendas
Postigo Consultoria de Gestão Empresarial
Fones (11) 4496 9660 / (11) 99645 4652
Twitter: @ivanpostigo
Skype: ivan.postigo

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