Estados como o brasileiro e
também empresas que atravessam grandes fases de desorganização, por falta de
conhecimento e ou negligência às práticas e normas de gestão, vivenciam uma
situação que podemos denominar: ignorância coletiva.
Negligenciar é uma terrível forma
de ignorância, tendo em conta que os resultados desastrosos são previsíveis.
Ignorar uma tarefa, tendo a
obrigação e incumbência, nos afasta do campo da razoabilidade e nos coloca no
campo da petulância, onde nos julgamos acima do bem e do mal.
Esse tipo de atitude tem levado o
estado brasileiro a situações difíceis, como podemos ver com os descasos
noticiados todos os dias e, ainda, colocado muitas empresas em situação
falimentar, deixando muitas famílias sem trabalho.
Caberia em um debate perguntar de
quem é a culpa?
Sem dúvida nenhuma a resposta é
extremamente simples: coletiva. Sim, a culpa é coletiva.
Vivemos em sociedade, não somos
seres isolados. Somos bombardeados todos os dias com informações e temos à
nossa disposição inúmeros meios de manifestação, portanto quando um projeto
coletivo fracassa a culpa é coletiva.
Há sim inúmeras situações em que
nos sentimos impotentes, pois apesar de questionarmos erros de gestão, medidas
corretivas não são tomadas, contudo de uma coisa temos certeza: “À medida que
provocamos debates, vamos encontrando pessoas que já questionaram a situação
anteriormente e vamos formando alianças”. Esta é uma verdade que poucas vezes
poderá ser contestada.
Considerando esta afirmativa verdadeira,
então por que razão correções não são efetuadas?
A razão e a petulância,
dependendo do tema em debate, ora se afastam ora se aproximam, e quando a
questão “poder” está em jogo, a linha que as separa é muito tênue.
Um homem não foi capaz de
incendiar Roma, uma cidade inteira, por capricho?
Quantas Romas não foram
incendiadas pelo mesmo motivo?
Sociedades organizadas costumam
apresentar menos corrupção e desmandos administrativos, refletindo na gestão
dos estados e das empresas.
Quando garoto, ouvia minha mãe
contar a história de uma estrangeira que veio morar em nosso país e, quando
seguia de trem para o trabalho, pela manhã, achava divertido jogar a casca da
banana, que comia, pela janela, pois em seu país não podia ter aquela atitude.
Hoje, não jogamos mais cascas de
banana, mas com frequência vejo rapazes tomando cerveja em seus carros e
atirando as latas nas ruas.
Há pleno conhecimento da sujeira
que isso provoca, da falta de lógica do ato, contudo a sociedade não se revolta
e se omite.
Com base neste exemplo, pensemos
na negligência de funcionários com suas tarefas e descasos de patrões com suas
empresas e com seus colaboradores.
Como consultor, quando faço
diagnóstico para organizar uma determinada situação, vejo que muitas soluções
que vou propor já foram tentadas no passado e não deram os frutos necessários. Por
que deveria eu, então, acreditar que determinadas recomendações, naquele
momento, gerariam resultados positivos?
O trabalho que vou realizar não
será um trabalho isolado, mas um trabalho coletivo, feito em sociedade. Um trabalho que tem que ser
debatido e aceito.
Uma vez acordado os pontos e obtido
o comprometimento das pessoas, nossas chances de sucesso aumentam
consideravelmente. Observe que estamos, desde o início, combatendo o maior dos
males do trabalho em grupo: a ignorância coletiva.
O custo da ignorância, pelo
desconhecimento, não costuma sair tão caro quanto pelo descaso e petulância.
As sociedades se formam por
identidade de comportamento, dessa forma, espero que, cada vez mais, tenhamos
sabedoria para não permitir a vitória da ignorância coletiva.
Ivan Postigo
Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP
Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação de
carreira na área de vendas
Postigo Consultoria de Gestão Empresarial
Fones (11) 4496 9660 / (11) 99645 4652
Twitter: @ivanpostigo
Skype: ivan.postigo

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