O mercado aquecido gerou resultados positivos, inflou a
estrutura das empresas, mas agora com o desaquecimento começa a cobrar seu
preço.
De uma forma bastante interessante, um empresário nos perguntava em um encontro: -
Como desmonto esse circo, demito o palhaço ou vendo o elefante?
Gosto dessa imagem, porque também já usei o circo como
exemplo de gestão algumas vezes.
Como vício de raciocínio, estamos atentos ao palhaço e ao
elefante, mas poucas vezes ao circo como um todo, até que a lona venha ao chão!
O crescimento empresarial sempre deixa um traço de
desorganização. Os motivos são muitos, como a falta de foco operacional, a
fragilidade na qualificação da equipe, o impacto da velocidade do crescimento,
a falta de domínio técnico para a gestão dos novos produtos, canais e clientes,
o choque provocado pela necessidade de
desenvolvimento de novos modelos mentais
em função de uma nova cultura que se estabelece. Assim, o assunto se mostra
complexo.
Não basta crescer em um período, é preciso consolidar
posições. Em momentos de desaquecimento de mercado, o encolhimento gera novos
conflitos na gestão.
A nova cultura, quando não mantida, não consegue ser substituída pela velha
cultura que já não mais existe. Há, com isso, um estado desconhecido que
precisa ser administrado.
A estrutura inflada, necessariamente, no momento de
aquecimento, tem um custo nem sempre suportável com a queda dos negócios, e reduzi-la representa risco para a retomada.
Esses são aspectos que envolvem todas as áreas, comercial,
produtiva, administrativa e financeira.
Manter a qualidade da gestão, com redução de custos, implica
na necessidade de melhoria da produtividade em todos os setores, realizando
mais com menos, aspecto que o mercado aquecido nem sempre permite realizar,
visto que o foco é vendas e geração de caixa.
O paradoxo se apresenta quando vemos que nos momentos de
dificuldade e falta de recursos é que soluções são criadas, mantendo no mercado
as organizações criativas e eliminado aquelas sem grande talento para gestão de
crises.
Organizações bem sucedidas são aquelas capazes de criar,
inovar, explorando novos canais e segmentos de negócios, reduzindo sua
dependência de alguns poucos clientes.
A observação de oportunidades de mercado tem levado gestores
a manter o foco nos produtos e não nas empresas e suas marcas, com isso, quando
há retração, a fragilidade do
empreendimento se faz presente.
Grande parte das empresas brasileiras não tem seu valor
avaliado pelo mercado, com isso o conceito
de gestão limita-se a lucro e geração de caixa, mostrando-se satisfatório
quando positivo, sem uma visão de futuro. Quer para investimento planejado,
fusão ou mesmo venda.
Essa questão abordei no artigo: Competência em gestão não é
conceito é cultura.
A busca do ponto de
equilíbrio, que demanda a adequação da
estrutura operacional, poucas vezes
ocorre com ações planejadas, costuma ser
mais emocional.
Isso ratifica o fato que nossas empresas crescem mais por
movimentos de mercado do que por ações estratégicas, aspecto que dificulta a
busca de rentabilidade em momentos de queda das vendas.
Ivan Postigo
Diretor de Gestão Empresarial
Articulista, Escritor, Palestrante
Postigo Consultoria Comunicação e Gestão
Fones (11) 4496 9660 / (11) 99645 4652
Twitter: @ivanpostigo
Skype: ivan.postigo
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