Fazer a empresa ter lucro e crescer: sonho de empreendedor.
Desenvolver uma carreira e ganhar altos salários: sonho de
trabalhador.
Excelente! Os objetivos se alinham, então porque há tantos
conflitos e dificuldades para que os projetos se completem?
Que tal usar nosso esporte predileto, o futebol, para
explicar, pode ser?
Gregório é torcedor fanático do Estrela Negra Futebol Clube,
time de segunda divisão, que acaba de vencer o campeonato e, com isso, subiu
para a primeira.
Nosso fã do alvinegro tem uma certeza: o time precisa de
reforço. Sabe que primeira divisão é primeira divisão. Ali não tem moleza, os
jogadores são excepcionais, muitos têm experiência internacional. O novo
patrocinador chegou com a mala cheia, disposto a contratar os melhores.
Gregório está eufórico, o novo time tem que entrar para
disputar o título, nada de só marcar presença.
Um amigo lhe diz: - Greg, como ficam os jogadores que deram
o sangue para essa conquista, vão perder o lugar?
Gregório sem pestanejar responde: - Ora, estamos na primeira
divisão, para disputar o título temos que reforçar o time. Alguns até poderão
ficar e serem testados, mas certamente vários terão que ser vendidos. O plano A
é entrar na competição para ser campeão e o plano B, na pior das hipóteses, é
não cair novamente.
De repente um latido começa a incomodá-lo e Gregório acorda.
Latinha, seu pequeno cão, meio assustado, fez tanto barulho que tirou todos da
cama.
Ainda meio zonzo de sono, ele procura entender o que estava acontecendo:
pois é, traído pelo subconsciente, estava sonhando.
Na verdade, Estrela Negra sequer existia, aquilo era uma
projeção de algo que conversara com Elias, um dos gerentes da empresa, durante
o dia.
Amigo, confidente, o gerente preocupado com os
acontecimentos resolvera trocar com ele algumas impressões.
A empresa estava crescendo muito e os diretores começaram a
notar que as falhas e reclamações dos clientes estavam aumentando.
As cifras haviam mudado, os milhares se tornaram milhões, e
as decisões precisam de velocidade e assertividade.
As últimas reuniões deixaram os gestores preocupados, pois o
responsável pela fábrica mostrou demasiada fragilidade ao atender os diretores
de um grande cliente que haviam conquistado. Novas máquinas, um sistema de
gestão mais complexo, muitas ordens de produção começavam a deixar claro que o
amadorismo poderia colocar a empresa em maus lençóis.
No encontro com os bancos, as novas operações e financiamentos
demandavam o desenvolvimento de novos argumentos e rico detalhamento para que a
liberação das verbas fosse obtida, mas a equipe não se mostrava preparada.
O próprio debate sobre os resultados, com os balanços na
mesa, gerou constrangimento, havia nítida falta de experiência no uso das
informações. A dificuldade de leitura dos informativos mostrava a fragilidade
dos integrantes. A empresa sempre fora gerida pelo fluxo de caixa.
O gerente de vendas, cria da casa, não tinha intimidade com
sistema de gestão, o que dificultava em demasia o atendimento de grandes
contas. Sua programação de trabalho era feita no café da manhã, e agora as
visitas a muitos clientes demandavam agendamentos. Por essa razão vivia as
turras com Vanessa, sua assistente, que não gostava da tarefa de telefonar para
montar a programação.
Começava o grande dilema: o que fazer com os profissionais
que trouxeram a empresa até aquele ponto? Responderiam rapidamente a
treinamentos?
Aceitariam o comando de uma nova equipe de gerentes? O que
fariam com os atuais gerentes, que se dedicaram para colocar a empresa na
posição que se encontrava, mas que estavam completamente despreparados para a
nova realidade?
Na primeira oportunidade, quando saíram para almoçar,
Gregório contou o sonho para Elias, que não gostou da comparação e rispidamente
disse: - Não misture as coisas, futebol é futebol, empresa é empresa.
Assim, muitas empresas depois de um período glorioso se vêem
novamente na segunda divisão.
Ah, Latinha! Não tivesse latido!
Ivan Postigo
Diretor de Gestão Empresarial
Articulista, Escritor, Palestrante
Postigo Consultoria Comunicação e Gestão
Fones (11) 4496 9660/ (11) 99645 4652
Twitter: @ivanpostigo
Skype: ivan.postigo
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