Nasci na cidade de Sorocaba, interior do estado de São Paulo,
na vila Hortência, a única colônia espanhola no Brasil que tenho conhecimento.
Muitas ruas ainda são referências a esse passado e se chamam Granada,
Catalunha, Sevilha, Madri.
Meus avós, oriundos de Almeria, deixaram as terras no velho
continente em busca de uma vida melhor no nosso país.
Refletindo sobre formas de aplicar ensinamentos em gestão
empresarial, comecei a resgatar fragmentos de histórias que me contavam na
infância e que hoje me permitem ter um entendimento mais prático de alguns
aspectos da vida.
Um pouco de minhas lembranças numa interpretação para
gestão:
Conta a lenda que numa distante terra no Oriente, há dezenas
de centenas de anos, havia uma pequena cidade, morada de sábios, que resolveram
com seus ensinamentos ajudar seus habitantes, um povo laborioso, a ter uma vida
melhor.
Construíram um oráculo, dedicado a Varuna, deus arquiteto e ferreiro, que possuía um conhecimento infinito.
Varuna é chamado
de Passabrit "senhor do nó corrediço". Esse epíteto, expressão que o
qualifica, apresenta uma das mais relevantes características do
deus. Os nós simbolizam a capacidade de prender ou libertar, de dar vida ou de
tirá-la.
Segundo os
sábios, com suas orientações e com ajuda do oráculo, todas as dúvidas e
dificuldades para desenvolvimento de negócios poderiam ali encontrar respostas.
Para se chegar ao
oráculo, onde as perguntas seriam feitas, era necessário subir 4 degráus, com inscricões que orientavam seus
visitantes.
No primeiro
estava escrito “decifra-me”, no segundo
“aprende”, no terceiro “desata-me’, e no quarto “ prospera”.
Dentro do oráculo
havia uma corda que formava um círculo, com três nós, considerados difíceis de
serem desatados, também com inscrições.
Em uma delas
lia-se “ Procura-me e oferece”, em seguida, no segundo nó, “ atende-me
sem demora”, no outro, por fim, “
Cuida e sucede”.
Em um muro de pedras,
logo após deixar o oráculo, a caminho de casa, os peregrinos encontravam a
seguinte inscrição:
“Nada pode-se
ensinar aos homens, podemos apenas ajudá-los a encontrar suas próprias
verdades”.
Todos que faziam
a peregrinação e seguiam as instruções recebidas obtinham excelentes resultados nos seus
empreendimentos.
À medida que os
negócios se desenvolviam a cidade crescia, mas perdia-se o interesse pelo sábios e pelo oráculo.
As melhorias,
após consultas, eram
consideradas meras coincidências.
Um dia, para
espanto de alguns e pouco interesse da maioria, desapareceram os sábios e toda
estrutura do oráculo.
No local, de
terra batida, havia apenas uma inscrição, feita aparentemente com uma vara, que
o vento e a poeira se imcumbiram de apagar: “ Mil anos os separarão da verdade “.
Pouco a pouco, os negócios e a cidade começaram a definhar, não restando nos dias atuais
vestígios dessa civilização, apenas a história contada boca a boca,
à qual apenas alguns dão ouvidos.
Acredita-se,
aqueles que acreditam, que as antigas lições são as mesmas que hoje procuramos ensinar aos gestores de nossas empresas.
O nós tinham
os ensinamentos fundamentais para
desenvolvimento de negócios.
Primeiro nó: “Procura-me
e oferece”, orienta para a prospecção de
oportunidades e oferta de produtos.
Segundo nó: “Atende-me
sem demora”, é uma indicação clara de que uma vez obtido o pedido o cliente tem que ser atendido sem atrasos.
Terceiro nó: “Cuida
e sucede”, aconselha que se faça rigoroso controle das tarefas e do caixa para que se possa alcançar o
sucesso.
Nas escadas havia
a orientação básica para uso desses conhecimentos, pois uma vez entendido o
enigma, as lições deveriam ser aprendidas, os nós desatados , na verdade as
dificuldades equacionadas, para se obter a prosperidade.
O pouco que se
sabe é que com o desaparecimento do oráculo muitos ensinamentos foram perdidos.
Há quem acredite
que essa civilização possa ter tido ligação com a Atlântica, outros que foi só
mais um local enterrado pelo tempo, e a
maioria que é apenas mais uma lenda.
Fato ou lenda,
quem tiver sabedoria para seguir esses ensinamentos certamente terá sucesso,
embora não sejam mais do que velhos conselhos para problemas novos.
Ivan Postigo
Diretor de Gestão Empresarial
Postigo Consultoria Comunicação e Gestão
Fones (11) 4496 9660 / (11) 99645 4652
Twitter: @ivanpostigo
Skype: ivan.postigo
Nenhum comentário:
Postar um comentário